terça-feira, 28 de outubro de 2014

ATENÇÃO: OS MEUS ARTIGOS DE OPINIÃO, QUE SEMPRE SAÍAM NESSE BLOGUE, AGORA SERÃO PUBLICADOS NO BLOGUE  historiatexto.blogspot,com.br

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

CAVALEIROS DO APOCALIPSE

Prof Eduardo Simões

            Duas coisas chamaram-me a atenção às vésperas do segundo turno: a grande quantidade de pessoas de classe média, as mais instruídas, que, no facebook, clamavam contra o “comunismo”, temendo, pela ascensão do PT, da mesma forma que a classe média de 1964, usando do mesmo argumento, atraiu sobre o país uma das mais violentas ditaduras de nossa história, que essa mesma classe média, vinte anos depois, pediria nas ruas, com muito mais clamor, que acabasse. Outra coisa que me impressionou foram as declarações, em áudio, da presidente da SABESP, Dilma Pena, e do diretor metropolitano da empresa, Paulo Massato, na Assembleia Legislativa de São Paulo.
            Segundo Dilma Pena, há muito tempo que se sabe da gravidade da crise hídrica em São Paulo, e que se fazia urgente a conclamação do povo para economizar água, o que não foi feito, segundo ela, por “orientação superior”. Ora, o escalão mais superior da SABESP é justo o governo de São Paulo, sócio majoritário da empresa, portanto tal determinação só podia ter partido dele, e nós sabemos porquê motivo. Já Paulo Massato é mais direto, e diz que, se as chuvas esse ano forem poucas, vai ser preciso “dar férias” a milhões de paulistas, para que se dirijam às cidades litorâneas atrás de água. Um apocalipse tipicamente brasileiro.
            Agora vem a questão: o que é pior, uma doutrina ultrapassada, decadente, defendida por meia dúzia de gatos pingados dentro do PT e em outros partidos de esquerda, ou o arrasto de milhões de pessoas ao desespero causado pelo caos de uma gestão que só pensa em dinheiro? Mesmo porque se se concretizar o temor do senhor Massato, para esses milhões de desesperados que virão essa ideologia decadente e idiota vai parecer verdade revelada. De quem será a culpa se isso acontecer? Do PT? Da esquerda? “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”.
            À classe média paulista eu bem que gostaria de poder dizer: “pensem melhor”, mas só posso dizer: “orem, orem muito, principalmente por você e pelos seus”, pois tudo indica que a hora de pensar e de agir já passou, e foi perdida.

Quem quiser ouvir o áudio da presidente e do diretor da SABESP vá para

Lei o texto abaixo e entenda o porquê dessa crise de água.

Sabesp distribui até 60% dos lucros aos acionistas durante governo Alckmin
Estimativas apontam que, entre 2003 e 2013, cerca de um terço do lucro líquido total da Sabesp foram repassados aos acionistas
            Em 1994, com a justificativa de que assim conseguiria mais dinheiro para investir em abastecimento de água e tratamento de esgoto, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) decidiu se tornar uma empresa de capital misto. Duas décadas depois, 50,3% de seu controle acionário se encontram nas mãos do Estado, enquanto 47,7% das ações são de propriedade de investidores brasileiros (25,5%) e estrangeiros (24,2%).
            Embora o estatuto social da Sabesp determine que os acionistas podem receber 25% do lucro líquido anual da empresa (relação que o mercado chama de payout), a concessionária chegou a bater recordes em distribuição de dividendos durante o governo Geraldo Alckmin (PSDB). Em 2003, por exemplo, ano seguinte à vitória do tucano nas urnas, 60,5% do lucro líquido da Sabesp foram parar no caixa de acionistas. Na verdade, desde a sua entrada na bolsa de valores, em 2002, a Sabesp nunca registrou payout inferior a 26,1%.
            Estimativas feitas com base nos dados divulgados em março de 2014 pela Diretoria Econômico-Financeira e de Relações com os Investidores apontam que, entre 2003 e 2013, cerca de um terço do lucro líquido total da Sabesp foram repassados aos acionistas. O montante é da ordem de R$ 4,3 bilhões, o dobro do que a Sabesp investe anualmente em saneamento básico.

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            Negócio rentável
            No meio financeiro, comprar ações da Sabesp virou um negócio rentável. Desde que se lançou no mercado de capital, a companhia colocou papéis à venda em duas ocasiões. A primeira em 2002, com prospecto inicial totalizando 3,364 bilhões de ações ordinárias na oferta brasileira, e 1,252 bilhão no exterior, na forma de ADSs (American Depositary Shares).
Naquele ano, cada lote de mil ações ordinárias saiu por R$ 110 aos investidores institucionais e, no caso de desconto da oferta de varejo, R$ 104,50. O preço das ADSs ficou em US$ 11,22 cada – equivalente, na época, a R$ 27,50. A venda dessas ações no mercado rendeu R$ 506,9 milhões. Segundo o prospecto da oferta inicial, os recursos foram encaminhados em sua totalidade aos cofres do governo do Estado.
            Em 2004, a Sabesp retornou ao mercado com oferta de 5,273 bilhões de ações ordinárias, equivalente a 18,51% do capital social da empresa, por meio de uma distribuição pública secundária realizada simultaneamente no Brasil e no exterior. Dessa vez, 3,841 milhões de ADSs foram para o exterior. O lote de mil ações ordinárias saiu por R$ 113,47.
A arrecadação naquele ano atingiu R$ 598,2 milhões. O governo do Estado e a Companhia Paulista de Parcerias (CPP) – uma sociedade de capital fechado controlada majoritariamente pelo Estado que tem por objetivo “viabilizar a implementação do Programa de Parcerias Público-Privadas (PPP)” – ficaram com os recursos.
            No total, pelo menos R$ 1,11 bilhão foi parar no caixa do governo estadual a partir da venda de ações da Sabesp em 2002 e 2004. A reportagem do GGN questionou a Secretaria de Fazenda do Estado quanto aos investimentos que foram feitos com esses recursos. A pasta remeteu as perguntas à Sabesp que, até o fechamento dessa matéria, não se manifestou.
            O gráfico abaixo mostra o desempenho das ações da Sabesp no mercado desde a entrada na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). Os picos registrados aconteceram em anos em que o lucro líquido da companhia de saneamento foi bilionário: R$ 1,055 bilhão em 2007, seguido de R$ 1,911 bilhão (2012) e R$ 1,923 bilhão (2013). O crescimento do lucro líquido puxa o aumento dos dividendos, o que torna as ações da Sabesp mais atrativas. Mesmo em 2008, quando a empresa teve lucro líquido de R$ 862,9 milhões, o payout foi de 34,3%.
   

A evolução das ações da Sabesp:
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            Dividendos x investimentos
            Se comparado ao total de investimentos feitos pela Sabesp nos últimos 10 anos em saneamento básico (aproximadamente R$ 17,3 bilhões), os lucros e dividendos da companhia de capital misto não parecem tão exagerados, segundo avalia Alexandre Montes, analista de investimentos ligado à Sabesp. De acordo com ele, “em 2012, o negócio da Sabesp gerou um caixa de R$ 4,3 bilhões apenas com a venda de serviços de água e tratamento de esgoto. Desse montante, ela investiu na aquisição de intangíveis cerca de R$ 2,8 bilhões”, afirmou.
            “Já em 2013, dos R$ 4,5 bilhões gerados, R$ 2,3 bilhões foram investidos. Do ponto de vista analítico-financeiro, a distribuição de rentabilidade para os acionistas está dentro dos padrões. Foram R$ 499 milhões em 2013 e R$ 579 milhões em 2012”, apontou o associado da Lopes Filho Consultores de Investimentos.
            Atualmente, cerca de 28 milhões de pessoas no Estado são abrangidas pelos serviços de abastecimento de água da Sabesp. Aproximadamente 73% dos clientes são moradores da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), cinturão abastecido pelo Cantareira, sistema protagonista de uma crise iminente de fornecimento de água, já que opera, desde o início de maio, com menos de 11% de sua capacidade.
            O governador e a Sabesp sustentam que o problema de abastecimento na RMSP acontece principalmente por falta de chuva. Na tentativa de evitar uma crise no segundo semestre, Alckmin anunciou algumas medidas emergenciais. Entre elas, a aplicação de multa em quem aumentar o consumo de água (ainda em análise pelos órgãos competentes), o uso das águas das bacias do Guarapiranga, Alto Tietê e, agora, Billings, para suprir a demanda paulista, além de uma obra de R$ 80 milhões para captar o volume morto do Cantareira.
            A conta que não fecha
            Ao longo de 10 anos da abertura de mercado e negociação de papéis na bolsa de valores americana, a Sabesp valorizou 601%. Na BM&FBovespa, a valorização foi de 427% no mesmo período, 2002 a 2012. Ou seja: em uma década no chamado “mercado futuro”, o valor da companhia saltou de R$ 6 bilhões para R$ 17,1 bilhões.
            Os investimentos em saneamento básico, por sua vez, subiram de R$ 594 milhões em 2003 para R$ 2,7 bilhões em 2013. Nos últimos cinco anos, a companhia hoje presidida por Dilma Pena investiu R$ 11,9 bilhões em distribuição de água e tratamento de esgoto, e pretende investir mais R$ 12,8 bilhões entre 2014 e 2018.
   
        
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            Para especialistas em gestão de recursos hídricos e saneamento básico ouvidos pelo GGN, a questão que não quer calar é a seguinte: como uma empresa como a Sabesp, com tanta rentabilidade no mercado e com investimentos bilionários em saneamento básico, não reduziu, nos últimos anos, a dependência do Sistema Cantareira? 
            O presidente do Sintaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo), Rene Vicente dos Santos, avaliou que a Sabesp tem investido maciçamente no crescimento do número de clientes, com o objetivo de ampliar o lucro com serviços de distribuição de água e tratamento de esgoto, deixando de lado novas tecnologias.
Ele apontou, por exemplo, que a Sabesp mantém tubulações que datam de 30 anos, e que ainda perde 25% da água que produz. Ou seja: a empresa ainda assiste à perda de 25% de receita, apesar dos investimentos feitos para melhorar essa situação.
            “A Sabesp tem investido nos últimos anos na ampliação da rede, mas a primeira coisa que faz com o lucro é garantir a rentabilidade dos acionistas. Ela aplica em melhorias, mas prefere direcionar os investimentos para onde consiga mais arrecadação ao final do processo – ampliação e rede, captação e tratamento de esgoto”, ponderou.
            Poucas opções para driblar a falta d’água
            Já na avaliação de Ricardo de Sousa Moretti, professor da pós-graduação em Planejamento de Gestão de Territórios da Universidade Federal do ABC, “o lucro da Sabesp indica que ela poderia ter feito um investimento muito maior em saneamento básico”, não só em volume de recursos, mas em aproveitamento de estudos e metas elaborados há pelo menos uma década, que apontam ser emergencial a busca por novas fontes de água para São Paulo.
Segundo Moretti, a Sabesp desenvolveu uma política voltada para lucros obtidos com a construção de grandes obras, como estações de tratamento – hoje, são mais de 214 espalhadas pelo Estado – “mas esqueceu que para funcionar, é preciso ter um sistema capilar eficiente, que leve água [da estação de tratamento] até em casa do cliente a partir do sistema arterial, que são as redes coletoras. Essa parte arterial não foi feita. Temos estações prontas, mas o esgoto não chega nelas. Ou seja, a Sabesp criou uma política insana, de grandes obras de engenharias, e não de gestão de águas”, criticou.
            A “política insana” da Sabesp, ainda de acordo com Moretti, também implica na condução de águas sujas a mananciais que servem de reservatório para a Grande São Paulo. Caso da Bacia da Billings, que recebe água que lava a região do rio Pinheiros quando há enchentes. O professor destacou que embora a Sabesp retire mais águas do braço Rio Grande para suprir a demanda do Cantareira, a represa situada na região do Grande ABC já trabalha perto de sua capacidade máxima. “O certo seria ter construído mais estações de tratamento no local, mas isso não foi feito”, lembrou.
            “Uso da Billings é improviso ao sabor da crise”
            O coordenador do Grupo de Trabalho de Meio Ambiente do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, João Ricardo Guimarães, classificou o anúncio de Alckmin sobre o uso da Billings como “improviso de soluções”. “Se isso era possível [usar a Billings para diminuir a dependência do Cantareira], por que não foi planejado e preparado há alguns anos? Por que o reservatório da Billings não abastece um número maior de pessoas há mais tempo? Por que fazer isso agora, ao sabor da crise?”, indagou.
            Para os especialistas, o governo Alckmin só tem duas alternativas para evitar uma crise no fornecimento de água após a Copa do Mundo. A primeira é rezar para que chova acima do patamar comum aos próximos meses, de modo que os reservatórios do Cantareira ganhem fôlego. A segunda é transferir águas da bacia do Rio Paraíba do Sul, de gestão federal, para contemplar a demanda paulista. Uma tarefa difícil, já que o governo do Rio sinalizou que a iniciativa pode comprometer o abastecimento de 10 milhões de pessoas só na Capital.
Fonte: Jornal GGN

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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

VOTO DE OURO
Prof Eduardo Simões
            Justo quando parecia que a oposição estava tomando pé, veio uma maré e a envolveu. Mas alguém não dúvida que ela não vá se afogar?
            Aécio pegou muito pesado com a presidenta, que, esperta, deixou os ataques mais grosseiros para a sua equipe, enquanto o outro, açodado ou imaturo, partiu, ele mesmo, para a rinha, sofrendo as consequências. Aécio esqueceu que a sociedade brasileira é muito machista, e por mais que os anos passem, eleições junto, eles jamais verão a Dilma, ou qualquer outra, como presidenta ou candidata, antes de mulher. Aécio, portanto, agrediu uma mulher e uma mãe! Nada mais horrível, considerando que o brasileiro busca no espaço público compensar as ofensas, tiros e tapas que ocorrem no ambiente doméstico.
            Mas eu creio também, que boa parte da perda de Aécio, que alguns chamam “desidratação”, se deve ao fato de já ter chegado à classe média a desconfiança de que o mais poderoso estado da federação está à beira do colapso hídrico, com conseqüências inimagináveis, além das imagens dantescas da carência de água, que já começam a aparecer nos meios de comunicação, e que deve, fatalmente, arrastar o resto do Brasil junto. Como evitar a responsabilização do grupo de Aécio?
            Nesse cenário, a postura do governador de São Paulo e de seu entourage, só faz piorar as coisas ao negar peremptoriamente o sinistro climático, e perseguir quem fala dele... eu não disse nada! O eleitor já deve estar se perguntando: e se eles usarem do mesmo artifício para os casos de corrupção no seu futuro governo, como aconteceu com o caso da compra de votos da reeleição, com a Pasta Cor de Rosa, com a CPI da Máfia do Apito, que, segundo o jornalista Juca Kfouri, teve na omissão do senador Aécio elemento fundamental para o seu arquivamento, etc.? Não dá para negar que a punição para os crimes de colarinho branco só começaram nos governos do PT.

            Noutras palavras: se votar na Dilma você erra, por não querer dar cobro à atual corrupção, se votar em Aécio erra, pois será leniente com crimes futuros, pelo menos os grandes, se votar branco ou nulo ou não comparecer, você também erra, por mostrar desinteresse com o futuro do país. Por conseguinte. Seja qual for a sua decisão nesse domingo, dia 26, você estará certo.

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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

SENTIR PODE, FALAR NÃO

Prof Eduardo Simões

         Há algum tempo vemos algo insólito no mais importante estado da Federação: notícias, fartamente decoradas com fotografias, imagens de vídeo, etc., dando conta que existe uma grave crise hídrica no estado, inclusive com severas faltas de água já acontecendo em algumas regiões, e o governo do estado afirmando categoricamente que está tudo bem, que não há racionamento, mas apenas “redução da oferta”.
         Essa semana, inclusive, ele foi bem mais longe, chegando a mandar um comunicado “duro” a Ban Kin Moon, o Secretário da ONU, por causa de uma funcionária da Organização, que, estando no estado, notou e notificou a falta de alguma coisa, sem deixar de apontar a mais provável das causas: a inépcia de gestão da empresa concessionária de água, logo isso em um governo que se gaba de seus “choques de gestão”. O governador, segundo as agências noticiosas, pôs dúvida a credibilidade da ONU, tudo bem em um país onde se nega o direito de advogar a Joaquim Barbosa, por falta de idoneidade moral, enquanto se mantém incólume o registro do condenado Zé Dirceu, chegando inclusive a ameaçar de não comparecer à próxima Cúpula do Clima, em Nova York. Mais um pouco e haveria guerra.
         Internamente, dizem, que os reparos da observadora têm fundamento, uma vez que a tal empresa concessionária deu lucros deveras polpudos aos seus acionistas, talvez a custa de investimentos de ampliação reservas e prevenção do sinistro atmosférico, mas também aqui não é saudável falar sobre o assunto. O último que se atreveu foi o presidente da Agência Nacional de Águas, ANA, dizendo que as bombas nas represas já estavam próximas de bater no “lodo”. Iiiih! Um “ilustre” deputado do governo logo o chamou de “vagabundo”, e um secretário da administração estadual disse que o tal presidente é que iria para o lodo. O governador não disse nada, mas com certeza Narizinho Arrebitado está muito constrangida.
         Aos brasileiros, pois, que vierem a esse estado e os próprios moradores, falo assim como que em código para evitar... vocês sabem, devem cuidar para quando sentir sede pedir água, mas não dizerem para quê.

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ISSO AINDA NÃO ACABOU?

Prof Eduardo Simões

         Ficamos abismados ao ver e ouvir um padre muito conhecido, de uma comunidade religiosa muito conhecida do Vale do Paraíba, durante a homilia de uma celebração eucarística (!), afirmar peremptório: “Eu não voto no PT! Eu não voto no PT”. Vá lá que eu também não morro de simpatias por esse partido, em função dos últimos acontecimentos, mas não julgo adequado que o santo espaço da missa, ainda mais o de uma homilia, um momento para ensinar coisas nobres e elevadas a fieis já saturados da sujeira natural do entorno, seja dedicado a atacar unilateralmente uma determinada agremiação política, como se o baixo nível dos debates do segundo turno estivesse contaminando as ideias desse ilustre sacerdote.
         Tal posicionamento, além de extemporâneo é desprovido de caridade e de discernimento, afinal deve existir entre as milhares de pessoas que frequentam aquela comunidade, nos seus famosos “acampamentos”, pessoas votam no PT. Isso é pecado? Será que naquela missa não havia ninguém que votasse no PT? Com que perturbação no espírito, um simpatizante desse partido não assistiria o restante da liturgia? Essa gente pretende proibir aos católicos de votarem em determinados partidos? Sob que justificativa? Vão associar esses partidos a emanações ou pactos “demoníacos”, como o fazem, disparatadamente, a respeito de tantas coisas e costumes? Foi uma agressão, aparentemente gratuita. Não se pode convidar uma pessoa para ir à nossa casa e recebê-la com um bofetão.
         A política desperta paixão, e a paixão cega aos homens, por isso é fundamental que alguém mantenha a cabeça fria para ter credibilidade como mediador, caso o conflito saia de controle, e ninguém melhor para fazer isso, pelo menos até agora, do que o corpo eclesiástico da Igreja Católica, posicionando-se neutra em relação aos partidos, mas engajada na cobrança da ética ou da falta dela no comportamento público dos políticos, independente de partido. Espero que a atitude desse padre não crie escola.


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terça-feira, 21 de outubro de 2014

O TRISTE FIM DOS COVEIROS DE POLICARPO

Prof Eduardo Simões

         Nunca entendi porque a Academia Brasileira de Letras não aceitou incorporar Lima Barreto ao seu patrimônio social. Segundo Francisco de Assis Barbosa, em sua biografia sobre o escritor, repugnava aos acadêmicos o alcoolismo de Barreto. Talvez eles temessem que, tremelicante, aquele viesse a quebrar a louça inglesa usada nos chá das cinco. Mas aí vem a pergunta que não quer calar: se os marimbondos de fogo do Sarney puderam entrar, porque Lima Barreto de fogo não pode.
         O Brasil é um dos raríssimos países onde se constituiu uma Academia só para promover, para ressaltar, o bom uso da língua pátria, quando nem Portugal, o pai da criança, se deu a esse trabalho! E para quê? Se hoje “doutores” e “mestres” formados em universidades estrangeiras saturam a infosfera de recomendações, estudos, gráficos e o... e o... que mais vier, afirmando categoricamente que errar é “lindo”, basta que a intenção de quem se comunica fique clara, que exercícios de caligrafia anulam a personalidade – o que é desmentido pela grafologia desde o século XVII – e outras coisas mais sobre a “norma culta” que, pelo seu excesso de sabedoria, não ouso comentar aqui.
         O problema é que crianças assim educadas têm professores, e esses professores precisam avalia-las, e eu sou um deles. Como fazê-lo se o que elas escrevem ou dizem não faz o menor sentido. Eis o que eu tenho detectado: não há mais qualquer distinção entre letra maiúscula e minúscula, tudo é escrito com letra minúscula; quando se chega ao fim da linha a palavra é simplesmente interrompida, não há a menor noção de sílaba, “mérito” da Emilia Ferreiro e o seu letramento; não há mais o espaçamento no começo do parágrafo, e sequer parágrafo, vire-se; acento? Só o de sentar; etc. etc. Mas isso não é tudo! Como não há mais caligrafia qualquer um escreve como quiser, e aí começa o trabalho mais pesado do professor: entender que raio de sinal gráfico é aquele rabiscado a folha. Os profissionais da educação, no Brasil, precisam, urgente, de um curso de criptografia.
          Moral da história, a universidade e as escolas de alfabetização, principalmente as mais abandonadas e pobres desse país, transformaram a prestigiosa Academia Brasileira de Letras em um elemento meramente decorativo, típico de sociedades sem tradição e sem história, e, principalmente, sem respeito pelo seu povo, e que compensa o abandono deste com permissões paternalistas, pois de nada adianta cultivar boas regras de conduta literária nas altas esferas, se, nas baixas, o que vale é o vale tudo.

         Na entrada de Lorena há uma oficina mecânica, há uma oficina mecânica na entrada de Lorena, com um detalhe: o acento circunflexo de “mecânica”, não está sobre o primeiro “a”, mas sobre o primeiro “c”, um erro que nem meu computador, uma máquina burra, permite que eu reproduza, mas que para as “autoridades” educacionais de São Paulo está muito bem. Acho que os imortais ainda não sabem de sua morte.

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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

ESPERANÇAS AUDACIOSAS E TEMORES INJUSTIFICADOS

Prof Eduardo Simões

            Certamente que foi com um misto de perplexidade, angústia e euforia, dependendo do lado em que se está, que pessoas nos quatro cantos do mundo receberam a notícia proveniente do sínodo dos bispos em Roma, reunidos sob a temática da família, anunciando uma mudança de postura da Igreja Católica no tratamento ao homossexualismo.
            Não se trata de um recuo puro e simples da forte condenação das práticas homossexuais, existentes na Bíblia, em inúmeras passagens como Lv 18,22. 20,13; Rm 1,27; sem falar de uma possível referência em 1Cor 6,9. E para que ninguém tivesse dúvidas de que a coisa era para valer, os Escritores Sagrados acrescentaram pelo menos duas passagens exemplares: a destruição de Sodoma e Gomorra, justificada imediatamente por Gn 19,5, e a quase extinção dos benjaminitas, iniciada por um desejo desenfreado destes em “conhecer” o levita de Efraim (19,22), apesar dos pedidos ingentes de seu hospedeiro (19,23), e que acabou redundando na morte da mulher do viajante e na guerra que se seguiu.
            Vista no conjunto não há dúvidas: a condenação é clara. Mas aqui também pode se levantar uma objeção de peso, pois a Bíblia foi escrita originalmente em um contexto, se é que a pessoa não acredita que o texto foi ditado diretamente por Deus aos ouvidos do hagiógrafo, como acontecia na Antiguidade, bem diferente do nosso, e então é preciso que essas condenações sejam interpretadas no espírito e costumes da época, que condicionavam fortemente a prática do homossexualismo.
            E que ambiente era esse? O homossexualismo estava fortemente vinculado aos rituais da religião pagã tanto asiática como greco-romana, dos quais os judeus deviam guardar distância, para evitar a “contaminação” de seus ideias religiosos, ainda muito objetivos e pouco espirituais. Ora, tal contexto, hoje, não existe mais, e essa questão deixou de ser algo de foro público e até nacional para se tornar algo de foro privado, fortemente condicionado pela solidão do mundo contemporâneo, principalmente, nos paraísos capitalistas das grandes cidades, onde o dinheiro vale mais que as pessoas. Foi a partir dessa realidade que eu ouvi a famosa declaração do Papa Francisco, voltando de sua viagem ao Brasil: “se uma pessoa é gay, busca a Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?”
            Tampouco se sustenta mais a crença antiquada de que a pessoa homoafetiva é necessariamente depravada, e só assume essa postura por “sem-vergonhice”. Existem casais ou pessoas de preferência homossexuais que se tratam com respeito e dão bons exemplos de convivência e urbanidade em sociedade, e muitos há que ainda buscam a fé na Igreja e uma inserção mais plena na comunidade dos fieis, e que nem sempre é acolhido com o devido respeito. Agora, se por ventura houver deles que se comportem de maneira indigna, que sejam tratados da mesma forma que os heterossexuais indignos.
            Dessa postura, preventiva e hostil nasce não poucas frustrações, sentimentos de culpa, mágoas e ressentimentos que fazem essas pessoas, em sua revolta, repudiar o mundo que lhe repudia, e que só lhe usa quando é do seu interesse, com aconteceu com o grande matemático inglês Alan Turing durante a Segunda Guerra, nascendo daí uma atitude de confronto ou defesa, que beira ao pecado explícito e contínuo, devido, às vezes, da incompreensão e falta de caridade, pasmem (!), da comunidade dos santos, que é a Igreja e seus fieis.
            É contra esse tipo de situação absurda que se levantam os bispos e o Papa Francisco, com a anuência de Bento XVI, buscando compreender a realidade dessa gente, e não a sua aprovação, recomendando uma atitude mais adequada, mais moderna e espiritual por parte dos católicos. É também uma postura de humildade diante de um mistério profundo, que não pode ser levado na base do ‘ou branco ou preto’, ‘ou tudo ou nada’, sob pena de arrancarmos o trigo junto com o joio, sem falar que se trata de uma atitude pastoral, sem dúvida relevante, mas que nada muda na teologia, na moral e na dogmática católica.
            Os tradicionais sinceros, creio, não têm nada a temer de mudanças indevidas que acarretem deterioração mensagem e da fé cristã-católica, da mesma forma que os homossexuais se iludiriam se vissem aí a aprovação explícita de sua opção sexual, e que o que foi escrito não está mais valendo. Sempre valerá.
            A Igreja não aprova, mas compreende, respeita e está disposta a caminhar junto, e até advogar por eles junto ao tribunal de Deus com atos e orações, como o faz por todos os seres humanos. Agora aqueles que vivem enxergando fantasmas a cada momento, que se assustam com tudo que foge aos padrões de sua espiritualidade estritamente secular e sociológica, e que à menor mudança já começam a ver catástrofes e apocalipses, só lhes resta uma coisa a fazer: começar a amadurecer, para não chegarem verdes à colheita de Deus.

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